quarta-feira, 13 de março de 2013

MEMÓRIAS

Em 19 de Março, é comemorado em Portugal o Dia do Pai.

Com a aproximação da data apetece-me escrever sobre o meu pai. Professor/Lavrador, era conhecido por todos por Prof. Jacinto, razão desconhecida por mim, dado não ter ligação com o seu nome (José Maria de Jesus), aliás, igual ao nome de meu avô paterno e já então igualmente conhecido por Jacinto.

Pessoa austera, trabalhadora e exigente. Da união com minha mãe nasceram três filhos : meus dois irmãos e eu.Contava-me a minha mãe da sua alegria aquando o meu nascimento,pelo facto de ser uma menina. Queria que me chamasse Margarida, mas, não sei porquê, quando me registou deu-me o nome de Helena.

Por ser menina sempre fui poupada a trabalhos mais duros, tolerância não verificada em relação aos meus irmãos que, até aos Domingos, com ele tinham que colaborar nos trabalhos do campo.

Respeitado por muitos, foi na sua profissão académica exímio, embora nuns tempos diferentes, onde algum exagero também imperava, principalmente no que tocava a castigos aos alunos, mas também onde o zelo e brio profissional eram a ordem e palavra do dia. Tempos em que extra horário escolar trazia para casa os seus alunos, numa sala de estudo improvisada na adega, com carteiras de madeira, onde os alunos se sentavam em dupla e ali estudavam com o apoio de esclarecimentos de dúvidas por parte do seu professor.

 Em vida foi agraciado com uma homenagem pela Companhia de Seguros "O Trabalho", da Figueira da Foz. Também (já após o seu falecimento) o seu nome foi dado a uma rua na localidade de Seixo-Montemor-O-Velho onde por muitos e largos anos viveu e trabalhou.

Ainda no tempo da ditadura foi convidado pela Pide para com eles colaborar, recusando peremptoriamente.
Que orgulho, Pai!

Decorridos tantos anos ficaram memórias, ensinamentos e aquele relógio, carinhosamente guardado, que me ofereceu numa data  especial, pelo bom resultado obtido no meu exame da 4ª. classe. E saudades, muitas.

Por norma visito-o no local por ele escolhido como sua última morada, onde a minha mãe se lhe juntou. Até nisso foi objectivo e em nota pessoal para a família informou da sua vontade, indo até mais longe, caso tal não se verificasse, todos os seus bens disponíveis seriam para as pessoas mais necessitadas de Santana. Não precisava! Nunca deixaríamos de cumprir a sua vontade.

Também no dia 19 voltarei a passar por lá!
Até um dia Pai e obrigada por tudo!

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