Um grito mudo é certo, que de nada valerá. Um grito que se perderá numa imensidão de palavras, músicas e posts. Mas grito:
- Pelas crianças sem voz, vítimas de maus tratos;
- Pelas mulheres e homens que lutam entre si;
- Pelos animais perdidos, sem o calor de um lar;
- Pelos jovens que buscam a liberdade do saber;
- Pelos idosos esquecidos do amor familiar;
- Pelo pão a que todos temos direito;
- Pela justiça social que dignifica o homem e mulher de boa vontade;
- Pelos doentes que rezam pela vida;
- Pelos empresários que lutam, inventam e reinventam para sobreviver;
- Pela liberdade de expressão, tão aclamada e por vezes silenciada;
- Por um País livre e bem governado;
- Pela esperança que não deve morrer.
Utopia? Talvez.
Mas há algo que ninguém nos pode roubar: O Sonho... e "o sonho comanda a vida".
Sem qualquer desprimor para com os homens, mas porque o dia em questão pretende celebrar as mulheres, de qualquer raça, côr ou partido, FELIZ DIA MULHER! "
Quase dois anos depois e perto de se voltar a celebrar esta data, eu grito e grito!!
Não sou feminista, nunca o fui.Quem me conhece sabe-o bem. Sabe como ultrapassei barreiras pelas quais uma feminista nunca enveredaria.Sempre acreditei e defendi valores mais altos, valores de família, de amizade, de companheirismo,de solidariedade.Tenho defeitos? Sim, tenho muitos, mas também tenho humildade suficiente para pedir desculpa sempre que reconheço estar errada, apesar das desculpas se deverem evitar.
Hoje apetece-me gritar e como não o posso fazer, desabafo neste texto o que o meu coração alberga, pese embora as críticas menos construtivas de que certamente serei alvo por parte de alguns, mas também já estou habituada! Sinto-me revoltada, sim, este é o termo: revoltada.
Num mundo e num país onde deveríamos alegre e democraticamente festejar a nossa alegria somos cada vez mais amordaçados pelo medo, pelas retaliações.Injustiças em cima de injustiças e continuamos vítimas daqueles que só pretendem o poder e de todos os que por lá já passaram .Queremos ter fé, continuar a acreditar e continuamos a acreditar mas os atropelos não param de aparecer.
Fazem-se leis que atentam contra a dignidade social, contra o respeito que deveria haver por todos quantos lutaram por liberdade e são os mesmos que a ajudaram a conquistar que hoje a deitam por terra. Não sou política, nunca o serei e não o quero ser. Sou uma simples mulher, como milhares de outras, florista por opção,por gosto e paixão por arte floral, que todos os dias inventa e reinventa para sobreviver num país onde nos aconselham a emigrar, onde com esforço, sacrifício e ajuda de pais demos cursos superiores ou técnicos aos nossos filhos para cada vez haver mais desempregados. Agora até já pensam criar cursos superiores com menos de três anos, deve ser para os estudantes serem cada vez mais cultos, ou mais depressa chegarem ao desemprego!!
A uma velocidade luz o que hoje é amanhã já não é. Grandes empresas aproveitam-se da crise,recrutam mão de obra cada vez mais barata a até aí, nós, mulheres, somos penalizadas.Os burlões continuam na maior e nós, povo, pequenino e bravo povo pagamos o que não compramos ou tiramos qualquer dividendo. E o drama maior é que não se vislumbram no horizonte opções, alternativas ou melhorias!
8 de Março - Dia Internacional da Mulher e para quem não sabe também existe um Dia Internacional do Homem, que a seu tempo também pretenderei recordar. Que cada mulher celebre esse dia da forma que mais lhe der prazer, mas sempre com a dignidade que nós, mulheres, sempre devemos ter. Eu festejá-lo-ei a gritar, aqui, neste "grito e grito" !
Lena
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